Você pretende atuar como empreendedor contábil ou já é um empresário do ramo? Saiba que o mercado está bastante competitivo e uma das formas de se dar bem é ter um modelo de negócio claro e diferenciado.
O modelo de negócio será o norteador para que você alcance o sucesso — ele descreve o que você faz, para quem faz e quais são os principais pontos dessa entrega. Com isso, o crescimento do seu negócio dependerá da sua capacidade de gestão, da assertividade do plano e da execução.
Lembre-se: o seu escritório de contabilidade é um negócio. E como tal, precisa ser gerido para atingir seus objetivos.
Primeiros passos em um negócio contábil
É comum em negócios de consultoria o empreendedor conseguir tocar a operação sozinho. Existem muitos consultores de sucesso que fazem esse voo solo. Mas em negócio de contabilidade é quase impossível ter sucesso atuando sozinho — seja pela amplitude do conhecimento necessário para atender bem as empresas, seja pela dificuldade de ganhar escala, já que parte do trabalho é de processamento.
Se iniciar sozinho, um dos passos que deve ter em mente é agregar outras pessoas ao longo do tempo. Ter um sócio complementar e engajado nos mesmos objetivos contribuirá muito para o sucesso. Tratamos esse tema em profundidade no artigo sobre por que preparar-se para ter sócios.
O mercado vem mudando rapidamente. O perfil do empreendedor contábil atual é aquele que consegue se organizar no tempo e dedicar boa parte dele à gestão — não apenas à execução técnica. Se houvesse uma sequência de passos de gestão para um escritório, seria resumidamente:
1. Desenhe um modelo de negócios e tenha uma proposição de valor clara. 2. Reúna pessoas engajadas e monte uma equipe de trabalho. 3. Planeje processos e sua execução — ferramentas como o Omie.G-Click ajudam a estruturar isso. 4. Faça gestão de pessoas e molde novos líderes. 5. Cuide da melhoria contínua dos processos.
O empreendedor contábil sozinho não vai a lugar algum sem pessoas com ele. Esses passos são essenciais e formam a base de qualquer modelo de negócio bem-sucedido.
Utilizando o Modelo Canvas para formatar seu negócio contábil
A primeira dúvida pode ser: o que é um modelo de negócio? Em linhas gerais, é um plano que mostra como a empresa vai gerar receita e obter lucro. É o que o escritório faz, para quem faz e como faz.
Esse valor deve ser diferenciado. Senão, você competirá em um “Mar Vermelho” — referência ao livro A Estratégia do Oceano Azul de W. Chan Kim e Renée Mauborgne — adotando uma estratégia de competição por preço que não é saudável, sem diferencial algum.
Uma das formas mais usuais de estruturar o modelo é o Método Canvas, desenvolvido por Alexander Osterwalder e pelo professor Yves Pigneur. Eles montaram uma matriz visual e dinâmica com nove blocos de construção de uma organização. Cada bloco se refere a um tema importante do negócio, e preenchê-los facilita a participação de mais pessoas para pensar um negócio único.
Os 9 blocos do Canvas aplicados ao escritório contábil
1. Proposta de valor. Representa o que é realizado no seu escritório e como isso gera valor para o cliente. Essa é a peça central — tudo mais gira em torno dela. É aqui que você define se vai competir por preço (conformidade básica) ou por valor percebido (consultoria, BPO, estratégia). A proposição de valor deve responder uma pergunta simples: por que o cliente vai escolher você e não o escritório ao lado?
2. Parcerias principais. Quem fornece apoio para realizar as atividades? No ecossistema contábil atual, parceiros de tecnologia são fundamentais. A Omie, por exemplo, oferece ao contador parceiro acesso gratuito ao ERP, banco digital integrado, sistema de gestão de tarefas e sistema contábil — tudo num único ecossistema. Outros parceiros relevantes incluem empresas de certificação digital, seguros e soluções fiscais.
3. Atividades-chave. Quais são as atividades executadas diariamente que levarão o valor esperado ao cliente? Para um escritório consultivo, a atividade-chave não é apenas “processar documentos” — é integrar sistemas, analisar dados financeiros e orientar decisões. Para um escritório online econômico, a atividade-chave é manter a plataforma funcionando para que o cliente execute as tarefas dele.
4. Recursos principais. Quais os recursos-chave necessários para o funcionamento? Em um escritório tradicional, os recursos principais são pessoas. Em um escritório digital, são sistemas. Na maioria dos casos, é uma combinação de ambos — profissionais qualificados operando sobre uma base tecnológica sólida.
5. Relacionamento. Como se relacionar com os clientes? Quais os canais e como é o atendimento? Uma boa comunicação com o cliente é essencial para a retenção. Escritórios tradicionais têm relacionamento personalizado; online econômicos têm relacionamento padronizado; consultivos têm relacionamento hiperpersonalizado. O formato depende do modelo.
6. Canais. Como você divulga os serviços e como atrai clientes? Marketing digital, indicação de parceiros, eventos do setor como o Conecta Day da Omie, conteúdo em blog e redes sociais. Escritórios de nicho têm vantagem aqui porque suas palavras-chave são mais baratas e a comunicação é mais assertiva.
7. Segmentos de clientes. Para que tipo de cliente o escritório é voltado? Existe um nicho? O atendimento especializado permite melhor comunicação, processos mais eficientes e honorários mais adequados ao valor entregue.
8. Estrutura de custos. Quanto é gasto com equipe, equipamentos, sistemas, marketing e infraestrutura? Uma das vantagens do ecossistema Omie para contadores parceiros é que o custo do ERP é zero — você recebe o sistema gratuitamente. Isso muda a equação de custos significativamente.
9. Fontes de receita. Como a proposta de valor gera dinheiro? Aqui é fundamental pensar além do honorário fixo mensal. BPO financeiro, consultoria tributária, planejamento sucessório, intermediação de serviços de parceiros, comissionamento de ecossistemas — são fontes complementares que podem representar uma fatia relevante da receita.
Modelos de negócio contábil mais comuns
Uma das formas de iniciar o desenho do seu modelo é entender como o mercado se organiza. Existem particularidades em cada escritório, mas é possível identificar características comuns em cinco arquétipos:
a. Escritório contábil tradicional
A proposta de valor é conformidade legal e atendimento das obrigações. A atividade-chave principal é o processamento de informações. Os recursos principais são pessoas. O relacionamento é personalizado. A estrutura de custo envolve logística de retirada de documentos e manutenção de estrutura física. Um fato importante é que esse modelo tem inovado com ferramentas digitais para aumento de produtividade — muitos escritórios tradicionais estão migrando para o modelo abaixo.
b. Escritório contábil online econômico
Tem na Contabilizei seu principal player. A proposta de valor é conformidade com o menor custo possível — para isso, parte do trabalho é executada pelo cliente na plataforma. A atividade-chave é a manutenção dos sistemas. Os recursos principais são tecnológicos. O relacionamento é padronizado e voltado para execução de tarefas. A estrutura de custo são infraestrutura de TI e marketing de escala. É um modelo baseado em preço e volume.
c. Escritório contábil tradicional com ferramentas digitais
É a evolução do tradicional. Aqui entra a consultoria e o aconselhamento na proposição de valor. A atividade-chave passa a ser a integração de sistemas e o recebimento de arquivos digitais. Os recursos continuam sendo pessoas, mas com sistemas facilitadores como ERP integrado e gestão de tarefas. O relacionamento é mais uniforme e eficiente. Há uma preocupação maior com produtividade, e boa parte da redução de custo retorna ao cliente como preço mais competitivo.
d. Escritório contábil de nicho
A proposta de valor está no atendimento personalizado para um setor específico. As atividades-chave incluem apoios de gestão especializados e conhecimento profundo da regulação do segmento. O relacionamento é qualificado e direcionado. Escritórios de nicho sobem mais rápido na Pirâmide de Valor porque conhecem a fundo o que o cliente precisa.
e. Escritório contábil boutique
A proposição de valor é o atendimento premium e hiperpersonalizado. A atividade-chave é a consultoria especializada — planejamento tributário, sucessório, estratégico. Os recursos principais são consultores sênior com reputação no mercado. O relacionamento é “um para um” e a estrutura de custo está ligada ao atendimento individualizado. Os honorários são proporcionalmente altos, mas o número de clientes é limitado.
A combinação de modelos — encontrando o Oceano Azul
Os modelos acima são apenas um panorama — existem grandes variações entre escritórios semelhantes. Eles devem servir de referência para a discussão, pois cada negócio é único — e assim é melhor.
O livro A Estratégia do Oceano Azul traz uma metodologia para construir uma proposta de valor única, baseada em quatro perguntas poderosas:
Que atributos considerados indispensáveis pelo setor devem ser eliminados? Essa pergunta estimula a questionar a base da concorrência e verificar se ela realmente entrega valor. Se não entrega, elimine. Por exemplo: será que o cliente precisa mesmo de um escritório físico bem localizado? Ou a presença digital resolve?
Que atributos devem ser reduzidos abaixo dos padrões setoriais? O estímulo é reduzir atributos excessivos que só agregam custos. Será que a quantidade de relatórios mensais que você produz é realmente utilizada pelo cliente? Ou é papel jogado fora?
Que atributos devem ser elevados acima dos padrões setoriais? Essa pergunta identifica o que realmente agrega valor. Talvez a rapidez na resposta, o acesso a dados em tempo real, ou a proatividade em alertar sobre riscos tributários sejam atributos que o cliente valoriza muito mais do que o mercado entrega hoje.
Que atributos nunca oferecidos pelo setor devem ser criados? Aqui está o segredo para gerar nova demanda. Essa pergunta busca atingir não consumidores da solução atual. Mentoria de lucratividade, BPO financeiro completo, painel de gestão em tempo real via Omie — são exemplos de atributos que não existiam no setor e que hoje diferenciam quem os oferece.
Adotando esses passos, existe uma chance real de seu negócio encontrar um espaço único no mercado. É o que a Tesla fez no mercado automotivo — começou pelo alto valor e desceu até as massas. O princípio se aplica perfeitamente ao mercado contábil.
Conclusão
Um modelo de negócios é um plano de como você vai gerar receita e de que forma. É o norte para a execução do empreendedor contábil que precisa gerir seu negócio para que ele dê certo.
Uma das diferenças do mercado contábil em relação a outros negócios de consultoria é que não é possível ir à frente sem contar com pessoas — sejam sócios ou colaboradores. O modelo Canvas ajuda a visualizar e estruturar isso de forma prática. E as quatro perguntas do Oceano Azul ajudam a encontrar a proposição de valor que vai diferenciar o seu escritório.
O mais importante: o modelo de negócio não é um documento que se faz uma vez e guarda na gaveta. É um instrumento vivo que evolui conforme o mercado muda, os clientes mudam e as oportunidades aparecem. Revisite-o regularmente — e discuta com os sócios e a equipe.
E você, tem executado o seu modelo de negócio? Se a resposta for “ainda não tenho um”, esse é o primeiro passo a dar.
Quer desenhar ou revisar o modelo de negócio do seu escritório? Agende um diagnóstico de 15 minutos com nosso time e vamos construir isso juntos.
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